Carro: necessidade ou status?

Os automóveis surgiram devido a necessidade do homem em aprimorar seu meio de locomoção, no entanto, hoje em dia os carros estão mais atrelados ao status do que pela real necessidade

Encurtar distâncias sempre foi um instinto natural do ser humano. A necessidade de se deslocar de um lugar para o outro fez o homem procurar alternativas de locomoção. 

A partir de várias observações, o homem notou que uma simples roda fazia as coisas se movimentarem mais rápido e foi daí que surgiram veículos com rodas para encurtar as distâncias. 

Estruturas arcaicas de madeira com rodas puxadas por animais, como os burros e os cavalos, eram a principal forma de transporte muitos anos atrás. Hoje, graças a engenharia automobilística, a tração animal foi perdendo espaço e deu lugar a formas mais modernas de locomoção nas grandes cidades. 

O carro é uma das invenções que mais passou por transformações ao longo dos tempos. Isso aconteceu e ainda acontece em virtude das novas tecnologias que criam automóveis cada vez mais seguros, com motores menos poluidores e designer moderno. 

Mas até que ponto o carro é um aliado e facilitador em nossa locomoção diária? 

Neste artigo, nós vamos discutir a relação necessidade X status e conhecer locais que estão incentivando seus habitantes a deixarem o carro em casa. 

Por que você quer um carro?

Responda de uma maneira bem sincera: por que você tem ou quer comprar um carro? É realmente uma questão de necessidade básica, de transporte para você e sua família? 

Poucos bens de consumo são tão desejados como o carro próprio. Também são raros os bens de valor tão elevado, sobretudo no Brasil. Um carro próprio traz inúmeros benefícios para seu proprietário. Comodidade, conforto e praticidade são alguns deles. Sem contar o tal “status”, buscado por muitas pessoas que adquirem um carro novo. 

Não há nada de errado nisso, a princípio. Embora em intensidades diferentes, todos temos necessidade de pertencermos a um grupo, de nos sentirmos e sermos reconhecidos como profissionalmente bem-sucedidos. Estes sentimentos e percepções estão ligados a ter um carro próprio. 

O problema reside quando o desejo de status não é compatível e proporcional à situação financeira do proprietário do automóvel. Nesta situação, comprar um carro deixa de ser uma escolha razoável, podendo comprometer a renda e o patrimônio familiar. 

Comprar um carro não é, nem de longe, uma escolha 100% racional. Mas isso não quer dizer que devemos cometer irracionalidades, colocando o “status” acima de nossas possibilidades financeiras. 

Pondere todos os fatores na decisão de comprar um carro. Caso contrário, o status proporcionado pelo novo carro será devastado pela infelicidade de um bolso vazio. 

Benefícios de comprar um carro  

Embora haja opções de transporte público, quase nunca oferecem a conveniência em possuir o próprio carro. Esta situação se torna ainda mais evidente caso você tenha pessoas que inspiram maiores cuidados dentro de casa, como doentes, bebês ou idosos. 

Consideremos também que, salvo raras exceções, as condições de transporte urbano no Brasil são sofríveis: inconvenientes como o horário de funcionamento, superlotação, sujeira, riscos de segurança e calor são frequentes. 

Existem também as opções de transporte privado, como os táxis e Uber (que não opera em todas as cidades). Embora mais convenientes que o transporte público, são mais caros. E perdem em comodidade para o carro próprio: além do tempo de chegada do veículo, você tende a andar sempre com um desconhecido. 

Quando o carro é seu, você pode escolher as características do veículo. Somado ao controle de manutenção do veículo por conta própria, pode permitir um maior controle sobre a sua segurança. 

Por estes motivos, o carro próprio permite conforto, liberdade e segurança, sendo provavelmente a melhor opção para você fazer a viagem de férias com a sua família. 

O status de ter um carro 

Ter um carro, muitas vezes, está associado a status: é um cartão de visitas da pessoa que o detém, podendo ser visto mesmo a distância ou em movimento, pelas ruas e estacionamentos da cidade. É uma tentativa de autoafirmação da pessoa que possui o carro. 

E os fabricantes de veículos sabem desta relação fortíssima entre carro e status, sobretudo na mente, e no coração, do consumidor brasileiro. 

O mais grave desta associação carro-status, é o preço que eles custam no Brasil. Sim, os impostos tupiniquins estão entre os maiores do mundo. Mas será que os altos preços são justificados unicamente pelos impostos? 

Tudo indica que não. Como carros são bens que refletem status e luxo, justificam-se os preços altos dos veículos no Brasil, já que isto os tornam ainda mais exclusivos e inacessíveis a grande parte da população. 

Comprar um carro envolve decisões sérias e arriscadas, que podem comprometer toda a receita da sua família. Existem diversos fatores, subjetivos e racionais, que vão guiar você na escolha mais adequada para as suas possibilidades – comprar um carro ou não. 

Holanda vai pagar para quem trocar o carro pela bicicleta 

Investimentos em infraestrutura, educação e na legislação fazem da Holanda um dos melhores, senão o melhor, lugares do mundo para se pedalar. Priorizar as bicicletas é a política pública local desde a década de 1970.

O governo holandês está encorajando as empresas a pagarem as pessoas para irem de bicicleta para o trabalho como parte de uma iniciativa nacional para combater os congestionamentos nas vias. A ideia do governo é que as empresas paguem 19 centavos de euro (R$ 0,86) por cada quilômetro rodado no caminho de ida e volta casa-trabalho. Além disso, os trabalhadores que usarem bicicletas para seus deslocamentos diários receberão também subsídios para a compra de uma nova bicicleta. 

A proposta vai beneficiar os empregadores, diz o governo, porque os trabalhadores que usam suas bikes ficam em melhor forma e são menos propensos à ausência por doenças. Há também as economias em combustíveis e estacionamento. 

Segundo dados do governo holandês, mais da metade de todas as viagens diárias na Holanda têm menos de 7,5 km de extensão; e mais da metade de todas as pessoas moram a menos de 15 km de seus locais de trabalho. O uso das bikes reduz os congestionamentos e permite melhores condições de circulação às pessoas que realmente precisam dos carros para se deslocar.