Novo modelo de gestão – montar equipes por projeto ganha força no mercado de trabalho

Para otimizar processos e garantir a máxima eficiência, empresas estão testando novas formas de trabalhos e optando por equipes segmentadas por projeto

É cada vez mais comum encontrar nas empresas equipes com regimes de trabalho diferentes. A contratação por tempo indeterminado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda pode prevalecer, mas a composição dos times está mais diversa.  

Hoje, com as atuais regras trabalhistas e a possibilidade de novas formas de contratação, muitas empresas estão optando por montar equipes por projeto. Mas você sabe como isso funciona? 

De um lado, as empresas estão com dificuldade para manter profissionais bons e experientes, de alto escalão, na equipe fixa. De outro, profissionais com mais tempo de carreira estão se unindo para trabalhar por projetos e resolver temporariamente os desafios dos clientes. 

Além de as empresas estarem mais familiarizadas e abertas a diferentes formas de contratação, os profissionais também parecem estar mais dispostos a aceitar uma nova forma de contrato, permitindo a eles fazerem parte de projetos atraentes que geram aprendizado e propiciam uma agenda mais flexível. 

Neste cenário, empresas buscam cada vez mais por profissionais experientes para trabalhos específicos. São pessoas da área criativa, de arte, texto e planejamento que se especializam em um determinado segmento, aproximam-se da empresa para entender o briefing do trabalho e, depois, desenvolvem o projeto e apresentam suas ideias. 

Após a entrega, o projeto acaba e cada um retoma sua rotina. 

Quando ingressa no projeto, o profissional passa por uma integração para conhecer as regras da companhia. É importante trabalhar a comunicação interna e realizar um treinamento apropriado de acordo com as equipes. 

É preciso estreitar o relacionamento entre os times. As pessoas contratadas têm as competências necessárias, por isso, o mais relevante é construir a confiança entre elas.  

A professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), Denise Delboni, ressalta que fazer a gestão de equipes com diferentes regimes de contratação é algo desafiador. "De imediato, há um problema de motivação, porque modelos diferentes de contratação podem levar a comprometimentos diferentes", diz. "E há ainda a questão salarial, um pode ganhar mais que o outro, e isso gera um novo desafio." 

Apesar de alguns profissionais trabalharem em projetos por opção, essa pode não ser a realidade de todos. "De forma geral, as pessoas ainda querem ser CLT, querem garantia em um país em crise", afirma a professora Denise, da FGV. Para ela, também há, ainda, uma mentalidade conservadora, tanto de empregados quanto de empregadores. "É um ranço que pode ir saindo à medida que as pessoas forem entendendo o que é a reforma trabalhista, que oferece mais possibilidades de contratação, principalmente para as empresas menores. Mas ainda falta informação."  

Com as mudanças na reforma trabalhista, há mais flexibilidade para os contratos de trabalho, mas para que o impacto seja maior é preciso uma adaptação dos profissionais e responsabilidade trabalhista por parte das empresas.