O mito de que uma “roupa decente” evita o assédio no trabalho

Difusão de informações nas redes sociais desafia empresas a repensar antigas formas de lidar com problemas corriqueiros

O rápido fluxo de informações e a multiplicação de canais para publicar conteúdos variados, principalmente através das redes sociais, tem levado muitas empresas a repensar seus códigos de conduta. Não apenas a postura exigida de funcionários, mas também como a empresa se posiciona publicamente a respeito de diferentes temas passaram a ser tema de reflexão para profissionais em cargos de gestão. Não é para menos, pois isso pode afetar diretamente a imagem que a empresa tem junto a seus clientes. 

Sabemos que gerir pessoas é complexo. Em tempos de rápidas mudanças de cenário e um certo abismo geracional, esta tarefa se torna ainda mais desafiadora. Por isso, na MetLife, nós trabalhamos diariamente para adaptar nossa visão de negócios às novas demandas do mercado. Uma atitude importante é acompanhar os debates que emergem espontaneamente nas redes. 

O mito da “roupa decente”

A pauta feminista que busca dar visibilidade ao assédio sexual no trabalho é uma das questões que emergem nas redes sociais e afetam diretamente a gestão de pessoas nas empresas. Uma postura muito rechaçada pelo movimento feminista é o argumento de que uma roupa decente evita o assédio sexual.

As estatísticas demonstram que mulheres nos mais variados ambientes e usando diferentes tipos de vestimenta sofrem assédio, cotidianamente. O que leva um homem a assediar uma mulher é a cultura que incentiva este tipo de aproximação. 

Esta é a razão por que o movimento feminista combate o mito da roupa decente. Ele acaba sendo uma ferramenta para dissipar a culpa de um homem que assedia de forma abusiva. Esta atitude pode, inclusive, estimular outros homens a agirem igual. 

Como as empresas podem ser mais proativas?

Definir um código de vestimenta claro e sem um viés de gênero é uma forma da empresa propor uma referência comum para todos os funcionários. As normas não precisam ser muito específicas para não se tornarem invasivas, mas uma orientação geral sobre o “tom” que a empresa quer passar ajuda a evitar julgamentos maliciosos sobre a vestimenta de colegas de trabalho. 

Outra atitude que cabe às empresas tomar para acabar com o mito de que a roupa decente evita assédio no trabalho é definir regras transparentes para o caso de denúncias de assédio sexual. Desta forma, mais mulheres poderão se posicionar publicamente caso sejam submetidas a este tipo de tratamento. 

Cultura organizacional alinhada com o futuro

Construir uma nova cultura organizacional sobre temas polêmicos - como o assédio no trabalho - leva tempo. O esforço deve ser cotidiano e direcionado para as pequenas ações, antes mesmo de pensar em refazer um código de conduta oficial e mais aprofundado.

Pouco a pouco, você pode também estabelecer canais para que os próprios funcionários se posicionem sobre as condutas propostas. O feedback de seus colaboradores é crucial para aprimorar a forma da empresa se comunicar e direcionar os novos rumos.

Com o tempo, o esforço será recompensado ao ver suas equipes se desenvolvendo de forma mais entrosada e produtiva, livre de inconvenientes gerados por antigos hábitos.