Todo apoio é bem-vindo, mas nem toda luta precisa ser sua

Será que qualquer pessoa tem direito de falar algo que não sofreu na pele?

A sociedade tem passado por grandes controvérsias quando se trata em falar o que se pensa. Se antes nós tínhamos uma fusão de ideologias espalhadas, hoje, há uma restrição no que se fala, talvez porque estamos na era do politicamente correto. Por outro lado, as mentes estão mais abertas, dando direito a todos os tipos de vozes.

Aqui na MetLife nós primamos pela igualdade de ideias. Pensando nisso, vamos refletir sobre como é importante saber se posicionar no momento certo.

A palavra

Se repararmos as mudanças no mundo, antigamente os programas de televisão, como “Os Trapalhões”, brincavam pejorativamente sobre raça, sexualidade, diversidade, entre outros gêneros. Naquele momento, a definição era comédia, embora incomodava as minorias. 

Hoje refletimos antes de falar algo, e com isso, houve um crescimento da opinião de pessoas às quais sofriam do preconceito. Nessa linha, entrou em discussão nas mesas de bares, na televisão e na internet o conceito do “lugar de fala”.

Essa expressão, em sua essência, traz a consciência do papel do indivíduo nas lutas, fazendo entender quando você é o protagonista ou coadjuvante no cenário da discussão. Não existe silêncio de voz, o que aparece é uma liberdade para cada grupo se reconhecer e identificar em qual espaço se encontra.

O lado bom do termo é que se abriram oportunidades para aquelas pessoas que vivenciam opressões na pele. O local de fala é rico porque não está dentro de um livro, ele está na pessoa que carrega aquilo todo dia, na violência sofrida.

O termo surge com frequência em conversas entre militantes de movimentos feministas, negros ou LGBT. A pessoa que sofre fala por si, como protagonista da própria luta e movimento. 

O assunto gera uma série de discussões quando uma pessoa, fora daquele nicho, deseja opinar. Por exemplo, se você é negro, será que somente você pode falar sobre tal assunto? Ou uma pessoa da raça branca tem direito em dialogar sobre preconceito racial?

Em 2018, no programa Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo, durante uma conversa sobre direitos da mulher, a atriz Kéfera Buchmann falou para o influenciador digital Lupa a seguinte frase: “você é um homem, logo você não pode falar sobre isso comigo”. Esse argumento demonstra a tentativa de ataque à pessoa que está argumentando em vez de atacar o argumento usado.

Pensando nisso, percebemos que a sociedade ainda se encontra em pé de guerra sobre alguns posicionamentos. Há uma incógnita de valores em razão de ser possível que alguém lute por determinado ponto de vista, mas não se reconheça nele como tal.

Como já dissemos, a sociedade está mais justa e igualitária, mas até que ponto se pode tomar as dores do outro? O sacrifício vale a pena? Ou é interessante ajudar a entender a situação em si e ajudar como pode? Vale a reflexão!