Confia na sua memória? Saiba mais como são criadas

Falsas memórias. Acontece e pode ser perigoso

As memórias são construções mentais. E podem ser fictícias. Como um romance, poderemos lembrarmo-nos de fatos que nunca aconteceram na realidade. Mas como isso acontece?  

Pense na memória como um espaço em que informações são armazenadas. 

Por exemplo, você não precisa aprender, todos os dias, os  nomes de seus pais ou amigos ou o seu endereço. Estes dados estão fixados na sua memória e prontas para serem usadas.

Mas a memória também poderá apresentar deficiências. A MetLife sabe da importância da memória na vida das pessoas e selecionou informações para que você conheça mais sobre o processo de criação de falsas memórias.

Para que serve a memória?

A memória serve para nos situarmos no tempo e no espaço. Se pensarmos em estados de amnésia, em que o indivíduo não tem recordações nem registros, a sensação é muito próxima de estar perdido.

Nossas lembranças podem ter diferentes configurações temporais: curto, médio e longo prazo. 

Normalmente, lembramo-nos com mais facilidade de acontecimentos relevantes em nossa vida e que estejam relacionados com desejos, preocupações e objetivos.

Você poderá até se lembrar, hoje, do que comeu, ontem, no café da manhã, mas certamente, em um mês terá dificuldade. E sabe porque? Essa informação não é relevante e o seu cérebro prioriza os dados a reter.

Wikipedia e atualizações

O sistema da memória humana opera de forma muito semelhante à Wikipedia. Podemos introduzir atualizações na informação disponibilizada para consulta. Mas são detalhes. Pequenos ajustes.

A estrutura da nossa biografia continua a mesma - até porque precisamos de dados estáveis e as memórias são uma fonte de estabilidade. Uma pessoa sem memória é uma pessoa sem história. Também é muito comum que sobre um mesmo acontecimento, pessoas tenham diferentes memórias. 

Quantas vezes, não nos lembramos de termos estado em determinado local, mesmo que nossos amigos e familiares afirmem que sim. Isso está relacionado com os filtros. Cada um tem o seu. Muito embora, possam lembrar, na generalidade, do acontecimento, a perspetiva e os detalhes serão certamente diferentes.

Armadilhas da memória

Mas as falsas memórias são mentiras? Não. A diferença está na intencionalidade. Nas falsas memórias somos enganados pelo nosso cérebro. 

Quando mentimos, estamos conscientes de que a informação que partilhamos não é verídica. A memória cria armadilhas e por isso acreditamos em fatos que não aconteceram.

As falsas memórias até podem parecer inofensivas, mas em alguns contextos elas podem ser perigosas.

No contexto criminal, este tipo de memória pode levar a condenação de pessoas inocentes.

Imagine que você é testemunha num processo e terá que identificar um suspeito.  Em casos de estresse, como este, é muito comum que as memórias fabricadas não sejam as que mais correspondem à realidade.  

Lembrar e imaginar

Uma das razões que explicam o processo de criação de falsas memórias é que memória e imaginação se formam no mesmo lugar do nosso cérebro. Por vezes, imaginamos um acontecimento, uma situação e a incorporamos como uma memória real.

As histórias que contamos estão relacionadas com a nossa memória.