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O maior erro do embedded insurance: tentar vender seguro em vez de cocriar valor

Existe um equívoco silencioso que ainda limita o potencial do embedded insurance e ele começa na forma como muitas empresas entram nesse mercado. Ao enxergar o seguro como mais um produto a ser ofertado, integrado via API e distribuído dentro de uma jornada digital, acabam reproduzindo a mesma lógica do modelo tradicional, apenas com uma nova camada tecnológica. 

Mas embedded insurance não é sobre adicionar um produto, e sim sobre redefinir a experiência. Para empresas que desejam integrar seguros às suas jornadas, o ponto central não é “como vender mais”, mas como gerar valor real quando o cliente mais precisa de proteção. E isso só acontece quando o seguro deixa de ser um elemento externo e passa a fazer parte da lógica do produto ou serviço principal.

Essa mudança parece sutil, mas exige uma transformação profunda. Quando o seguro é inserido de forma superficial, ele gera fricção, confusão e baixa adesão. Quando é cocriado, torna-se quase invisível e, justamente por isso, mais relevante. O embedded insurance bem-sucedido nasce de uma premissa simples: o cliente não quer comprar seguros, ele quer resolver problemas, reduzir incertezas e continuar sua jornada com tranquilidade. É nesse espaço que as empresas encontram uma oportunidade poderosa, desde que estejam dispostas a repensar seu papel.

E isso nos leva ao verdadeiro diferencial competitivo desse modelo: a cocriação. Ao contrário do que muitas estratégias iniciais sugerem, não basta conectar um parceiro segurador ou integrar uma solução pronta. O que diferencia iniciativas que escalam daquelas que estagnam é a capacidade de construir, em conjunto, uma solução completa: produto, jornada, experiência, regras de risco e operação.

É aqui que o modelo tripartite se consolida como a arquitetura mais eficaz para viabilizar essa transformação. Nesse modelo, três competências fundamentais se encontram. A plataforma domina a relação com o cliente e compreende profundamente seus comportamentos e momentos de decisão. A seguradora estrutura o produto, gerencia o risco e garante a sustentabilidade e a confiança do modelo. Já a insurtech conecta essas pontas, trazendo tecnologia, dados e capacidade de escala.

Separadamente, cada um desses atores resolve apenas parte do problema. Juntos, conseguem criar algo que nenhum entregaria sozinho: uma experiência fluida, contextual e financeiramente sustentável. A diferença entre uma simples integração e uma parceria tripartite está justamente na profundidade dessa colaboração . Não se trata de conectar sistemas, mas de integrar decisões, responsabilidades e objetivos.

Quando isso não acontece, surgem os sintomas já conhecidos: jornadas fragmentadas, ofertas genéricas, baixa conversão e, principalmente, pouca percepção de valor por parte do cliente. Por outro lado, quando há cocriação genuína, o seguro passa a aparecer no momento certo, com a proposta certa e dentro do contexto correto. Ele deixa de interromper a jornada e passa a reforçá-la.

É nesse ponto que muitas empresas descobrem que o embedded insurance não é apenas uma nova fonte de receita, mas uma alavanca de diferenciação e fidelização. Um seguro bem integrado pode aumentar confiança, reduzir churn, melhorar a experiência e até fortalecer a proposta principal do negócio. Mas isso exige um novo olhar estratégico.

Em vez de perguntar qual produto faz sentido oferecer, a pergunta mais relevante passa a ser: em que momento da jornada do meu cliente a proteção realmente agrega valor? E, talvez ainda mais importante: como essa proteção pode ser entregue de forma simples, transparente e sem atrito? 

Responder a essas perguntas requer mais do que dados ou tecnologia. Exige alinhamento entre as partes, clareza de papéis e, principalmente, um compromisso compartilhado com a experiência final. Esse alinhamento também redefine a lógica de distribuição. Se antes o foco estava em abrir canais e ampliar alcance, agora está em orquestrar jornadas. Distribuir deixa de ser vender e passa a ser inserir valor no fluxo natural da experiência.

Nesse contexto, a venda não desaparece. Ela se transforma. O convencimento dá lugar à relevância. O discurso dá lugar ao contexto. E o momento passa a ser mais importante do que argumento. A tecnologia, claro, continua sendo um habilitador essencial. O avanço das APIs, da automação e da inteligência artificial permite decisões em tempo real, personalização em escala e jornadas mais fluidas. Mas, como o próprio mercado vem demonstrando, tecnologia sozinha não sustenta o crescimento. Ela precisa estar ancorada em um modelo bem desenhado, com governança, clareza e propósito.

O risco de ignorar isso é transformar o embedded insurance em mais uma promessa não cumprida, uma iniciativa que parecia inovadora, mas que não conseguiu se traduzir em valor para o cliente. Por isso, talvez a principal mudança seja cultural. Empresas que desejam avançar nesse espaço precisam sair da lógica de fornecedor e entrar na lógica de ecossistema. Precisam aceitar que não controlarão toda a jornada, mas que podem contribuir de forma decisiva para que ela funcione melhor. Acima de tudo, precisam entender que, nesse novo modelo, ninguém ganha sozinho.

O futuro do embedded insurance não será definido por quem integrar mais rápido ou lançar primeiro. Será liderado por quem conseguir cocriar melhor, combinando experiência, dados, risco e tecnologia em soluções que façam sentido na realidade do cliente.

E isso começa e termina na cocriação.

AVP de Business Solutions Xcelerator LatAm

Paula Toguchi

Paula lidera a área de Business Solutions da MetLife Xcelerator LatAm desde janeiro de 2025, sendo responsável pelo desenvolvimento de soluções end-to-end para integrar a MetLife Xcelerator aos ecossistemas de parceiros.


Ingressou na MetLife Brasil em dezembro de 2008, após a aquisição da Odonto A, empresa que marcou a entrada da MetLife no mercado odontológico. Anteriormente, atuou como Diretora de Produtos, liderando a implementação de soluções de Vida, Odontológico e Previdência, além da gestão do portfólio da companhia no Brasil.


É formada em Administração de Empresas pela Fundação Santo André, possui certificação Green Belt (Lean Six Sigma) e diversos cursos voltados às áreas de gestão de pessoas e projetos.

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